Por que a hegemonia do “Embaixador” na música sertaneja?

Por Luiz Felipe Rocha

29 anos de idade, dez de carreira, nove discos e atual “dono” da música sertaneja. Estou falando de Nivaldo Batista Lima, mais conhecido como Gusttavo Lima, ou melhor, “Embaixador”. Em tempos de redes sociais, aonde pessoas exibem comentários preconceituosos contra tudo que não concordam, Gusttavo Lima me parece que conseguiu selar a paz entre os fãs da música sertaneja.

Exemplos? Quando se comenta de nomes fortes como Luan Santana, Lucas Lucco, Pedro Paulo e Alex e Naiara Azevedo, um enxurrada de comentários como “isso não é sertanejo”, “que mer**” e até mesmo envolvendo a vida pessoal dos artistas, tudo para mostrar que, definitivamente, tal cantor ou cantora não é uma unanimidade.

Claro que Gusttavo não é sexta-feira para agradar todo mundo; há quem diga, por exemplo, que o seu corpo cheio de tatuagens não condiz com o estilo musical. Mas sem dúvida ele é um dos poucos que consegue agradar os fãs de moda bruta, do sertanejo universitário e até mesmo de quem não curte muito o nosso estilo musical! Afinal, quem nunca se pegou cantando “Ainda não me chame de nego” ou “Foi bonito foooiiii, foi intenso foooiiii”?

                                                     Primeiro DVD lançado em 2010

O sucesso de Gusttavo nos palcos se deve também a sua vida pessoal. Com redes sociais ativas, o cantor posta foto com seus filhos, com a sua esposa, na fazenda, na casa dos pais… mostrando que é “gente da gente”, o que aproxima e estreita relações em um mundo cada vez mais fechado e egoísta.

Porém, essa hegemonia não foi construída de uma hora para outra. Em seu primeiro disco ao vivo, lançado em 2010, Gusttavo chegou com hits como “Inventor dos Amores” e “Te Quero Sim”. Apesar de entrar de vez no mundo sertanejo a partir de então, ainda faltava algo para se firmar.

Em 2011 veio o segundo disco: “Gusttavo Lima e Você”. Esse apresentou sucessos como “Cor de Ouro”, “Refém” e “Balada”, essa última é até hoje divide opiniões entre os fãs, já que se trata de um ritmo mais dançante, deixando de lado a moda de viola.

No ano seguinte (2012), foi lançado “Ao Vivo em São Paulo”, com destaque para “Doidaça” e “Fazer Beber”. Na minha opinião, esse foi o disco que mais misturou ritmos e dividiu os fãs, já que contava com canções como “Gatinha Assanhada” e “As mina pira na balada”, que a exemplo de “Balada”, não costuma agradar a todos.

   Primeiro “Buteco” foi um marco em sua carreira

Apresentando amadurecimento (até mesmo na aparência), Gusttavo lançou em “Do outro lado da moeda” em 2013. Gravado em estúdio, o disco trouxe “Fui Fiel”, “Ponto G” e “Jejum de Amor”, mas ainda faltava algo mais raiz para que ele subisse de vez de patamar, o que viria no no seguinte.

Em 2014 veio a cereja do bolo: “Buteco do Gusttavo Lima”. Com um proposta diferente, o cantor misturou clássicos, inéditas e convidados especiais de peso! Tudo isso somado ao clima de buteco, com palco temático e tudo, não deu outra! Destaque para a regravações de “Rumo a Goiânia” e “Borbulhas de Amor”.

Gusttavo trabalhou nesse disco até 2016, quando lançou “50/50”. Mesmo não tendo a representatividade no anterior, o nível foi mantido com hits como “Homem de Família” e “Abre o portão que eu cheguei”.

2017 foi histórico e consolidou a hegemonia de Gusttavo. Foi aí que veio “Buteco do Gusttavo Lima Vol. 2”no mesmo estilo do primeiro, emplacando o hit “Apelido Carinhoso” e regravando clássicos como “Por Um Gole a Mais” e “Te amar foi ilusão”. Foi também em 2017 que ele foi nomeado o “Embaixador” da Festa do Peão de Barretos, fazendo jus ao título, quando cantou até oito da manhã com direito a churrasco no palco.

                                              O “Embaixador” fez história no Barretão

Repetindo a história, em 2018 ele foi novamente o Embaixador do evento. Gravou mais um DVD na carreira (que deve ser lançado em 2019), cantou até nove horas da manhã em mais de cinco horas em cima do palco.

Como eu disse, Gusttavo não é unanimidade, mas desconheço um artista que consiga agradar, ao mesmo tempo, seu avô de 85 anos acostumado a escutar discos de Tião Carreiro e Pardinho e também o seu sobrinho de nove, que escuta Bruno Mars no tablet.

#respeitaoembaixador

LUIZ FELIPE ROCHA

Nascido em Campinas (SP), Luiz Felipe Rocha é jornalista, tem 29 anos e sempre foi apaixonado pela música sertaneja. Neste espaço, ele irá fazer uma análise dos principais assuntos do meio e opinar sobre os novos artistas que estão despontando no mercado.

 




Últimas notícias

  • Marcos e Belutti divulgam segundo EP do projeto 'M&B 10 Anos'
  • Antony e Gabriel lançam clipe da música ‘CPF'
  • Leo Chaves será homenageado na Festa Nacional da Música
  • Marcos e Belutti lançam clipe da canção "Cuidado"
  • Nativa FM comemora 10 anos em grande estilo no Villa Country




  • Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *